quarta-feira, 24 de abril de 2013

Historiadores pra quê?



À luz do debate que sacode o campo de história estadunidense sobre a função social dos historiadores, Keila Grinberg contrapõe, em sua coluna de março, as expectativas do graduando em história no Brasil e a realidade que ele encontra depois de formado. A reflexão sugere um novo direcionamento profissional nos cursos de pós-graduação na área.
Por: Keila Grinberg

Historiadores pra quê?
Prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, no qual se encontra o departamento de história da universidade. No Brasil, as graduações e as pós na área não estimulam uma formação voltada para a educação e a sociedade. (foto: Wikimapa).
Pergunte a qualquer estudante de pós-graduação em história no Brasil o que ele quer ser quando defender, e a resposta vai ser quase sempre a mesma: professor universitário. Nos Estados Unidos também é assim. Mas a realidade dos doutores recém-formados tem sido bem diferente da expectativa. Com a crise econômica, a maioria, quando acha emprego, acaba trabalhando em museus, escolas e outros lugares tidos como de menor prestígio.
A redução de vagas no mercado de trabalho universitário para a área de humanidades – o que, aliás, acontece nos Estados Unidos desde a década de 1970 – é a provável razão por trás da grande discussão sobre os programas de pós-graduação em história e a função social dos historiadores que está sacudindo o campo desde outubro do ano passado naquele país. Ainda que a motivação seja mesmo esta, ela está vindo para o bem.
Em outubro de 2011, Anthony Grafton, presidente da Associação Americana de História, e Jim Grossman, diretor-executivo da entidade, escreveram o artigo “No more plan B” (Não mais plano B, em tradução livre), defendendo que as chamadas carreiras alternativas, principalmente no campo do ensino e da história pública, não deveriam ser mais o plano B dos recém-doutores na área de história, mas sim o caminho principal. E isto não apenas porque falta vaga no mercado, mas porque os historiadores devem rever a sua relação com a sociedade, deixando de ver a si mesmos apenas como profissionais que pesquisam e ensinam dentro da universidade.
Departamento de história da Universidade de Boston (EUA)
Departamento de história da Universidade de Boston, nos Estados Unidos. O país passa por um amplo debate sobre os seus cursos universitários de história. Para alguns pesquisadores, historiadores deveriam trabalhar em parceria e envolver maos o público. (foto: reprodução)
O artigo caiu como uma bomba no meio acadêmico. Houve quem criticasse, dizendo que Grafton só defendia essas ideias por ser, ele próprio, professor de Princeton, uma das universidades de pesquisa mais prestigiadas dos Estados Unidos. Mas prefiro entrar na fila dos que aplaudiram, como Claire Potter e Thomas Bender, ambos professores da Universidade de Nova Iorque.
De maneiras diferentes, os dois defendem uma mudança radical no ensino universitário de história: Bender, para recuperar o comprometimento dos intelectuais com a vida pública que marcou a formação universitária na área de humanidades no século 19; e Potter, para defender que o trabalho do historiador no século 21 deve ser feito em conjunto e acessível ao grande público, um modelo radicalmente diferente daquele do pesquisador solitário, em vigor no século passado, que escreve somente para seus pares.

Nisto não há muita novidade, a não ser a constatação, comum a ambos, de que o ensino universitário de história está muito longe de prover as competências necessárias para que os recém-formados possam se adequar aos novos tempos do mundo real. As disciplinas existentes na maioria dos cursos de pós-graduação em história são orientadas tão somente para a especialização excessiva e para a pesquisa individual.
 Segundo Potter, os historiadores, para dar conta das novas tecnologias, das variadas formas de divulgação dos resultados de suas pesquisas, e para estar em dia com a produção acadêmica internacional, deve trabalhar em conjunto com outros historiadores. E isto vale também para o ensino e para um diálogo mais igualitário e engajado com o público (que, nas universidades do Brasil, poderíamos chamar de extensão).

Perda total

No Brasil, estamos no mesmo barco. A diferença é que a Associação Americana de História acabou de se engajar em um grande projeto de reflexão sobre a profissão, que, nos próximos três anos, vai estudar e discutir os currículos de várias universidades dos Estados Unidos. 
Enquanto isso, aqui, são pouquíssimos os cursos de graduação em história que têm disciplinas como “Patrimônio” ou “Relações internacionais” em seus currículos. Candidatos a historiadores pouco estagiam em museus ou em centros culturais. Mesmo a área de ensino de história na educação básica é frequentemente neglicenciada. O resultado disso é que a maioria dos graduados na área foge das salas de aula dos ensinos fundamental e médio e nenhum curso de pós-graduação se dedica a formar professores para a educação básica.
Sala de aula
No Brasil, a maioria dos graduados em história foge das salas de aula dos ensinos fundamental e médio e nenhum curso de pós-graduação na área se dedica a formar professores para a educação básica. (foto: Tiffany Szerpicki/ Sxc.hu)
Dos 63 cursos de mestrado e doutorado existentes na área de história no início de 2012 no Brasil, apenas dois são mestrados profissionais, um dos quais especializado em bens culturais e projetos sociais. Nenhum é devotado ao ensino de história.
Para se ter uma ideia do contraste com outras áreas, existem hoje 72 cursos de pós-graduação no Brasil dedicados exclusivamente ao ensino de ciências – física, química, biologia, ciências da terra – e matemática, entre mestrado profissional (39), mestrado acadêmico e doutorado.
Da mesma maneira, a produção acadêmica resultante de trabalhos realizados em conjunto é frequentemente desvalorizada. Por decisão dos próprios historiadores, os livros didáticos – realizados necessariamente em equipe – não são considerados pela Capes como produção intelectual qualificada, item de fundamental importância na avaliação dos programas de pós-graduação.
Dos 63 cursos de mestrado e doutorado em história no Brasil, nenhum é devotado ao ensino
O mesmo vale para textos escritos em parceria, principalmente se a coautoria for entre aluno e professor – há quem desconfie que ou o professor se aproveita do trabalho do aluno ou o aluno se aproveita do prestígio do professor para publicar – e para o conhecimento divulgado em outros meios que não a palavra escrita, como filmes e sites.
A flagrante competição entre os programas de pós-graduação – têm mais recursos e bolsas de estudos aqueles cujos professores têm produção acadêmica considerada mais qualificada – completa o quadro.
Daí não ser de espantar que a maioria dos pesquisadores da área de história só se dedique a escrever livros, artigos e capítulos para serem lidos por seus pares; que suas aulas sigam esse mesmo padrão; e que seus alunos tenham no horizonte apenas a restrita carreira acadêmica.
Seguindo esse padrão, perdemos todos: pesquisadores, professores e alunos; Perdem os programas de pós-graduação, viciados em produzir apenas o que é bem pontuado na avaliação da Capes; perdem os alunos universitários, que têm uma formação voltada para um trabalho que dificilmente exercerão e que deixam de ser qualificados em competências que fatalmente deverão desenvolver.
E perde o público, ávido por ler bons livros, ver bons filmes, frequentar bons museus e navegar em bons sites de história. 

Keila GrinbergDepartamento de História
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Pós-doutoramento na Universidade de Michigan (bolsista da Capes)

terça-feira, 23 de abril de 2013

Raça de Joel Zito Araujo


Joel Zito Araujo, cineasta,  pesquisador,escritor e roteirista, começou a carreira dirigindo documentários de curta e média-metragem, com foco nos problemas da sociedade brasileira. seu primeiro longa, O efêmero estado, União de Jeová, sobre Udelino de Matos, que tentou nos anos de 1950 fundar um estado camponês com maioria negra no norte do Espirito Santo. a Negação do Brasil foi outro documentário onde Joel Zito trata da trajetória de um personagem negro nas noites brasileiras. Escolhido o melhor filme brasileiro pelo  É Tudo Verdade e para vários festivais internacionais, lança agora RAÇA Um Filme Sobre Igualdade estria este mês nos cinemas.
A estreia nos cinemas de todo país, inclusive no Estado, será no primeiro semestre de 2013. Exibições em comunidades no interior também estão na lista de prioridades dos cineastas. “Estou otimista de que o filme possa contribuir para que os brasileiros avancem a respeito do tema. Assim como o projeto, outros avatares na sociedade, como o ministro Joaquim Barbosa e o ator Lázaro Ramos, contribuem para que alguns preconceitos sejam quebrados e que haja mais respeito, sem a visão de superioridade racial”, diz Joel.
Personagens
Foto: Divulgação
Divulgação
A capixaba Miúda, neta de escravos, é uma dos personagens do filme

      Filmografia Selecionada Diretor
  • Raça (2012)
  • Cinderelas, lobos e um príncipe encantado (2009). Menção honrosa no Festival Internacional de Cinema de Brasília, 2008. Prêmios de melhor filme e melhor diretor, por votação do público, no 9ª Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe. Prêmios de melhor longa-metragem e melhor documentário do III Bahia Afro Film Festival, 2010.
  • As filhas do vento (2004). Prêmios de melhor filme (júri da crítica), melhor diretor; melhor ator (Milton Gonçalves); melhor Atriz (Ruth de Souza e Lea Garcia); melhor ator coadjuvante (Rocco Pitanga); melhor atriz coadjuvante (Taís Araújo e Thalma de Freitas). Prêmio de melhor filme pelo júri popular da Mostra de Cinema de Tiradentes, 2005.
  • Vista a minha pele (2003). Curta-metragem
  • A negação do Brasil (2000). Prêmio de melhor filme do É Tudo Verdade de 2001. Prêmio de melhor roteiro de documentário no 5º Festival de Cinema de Recife em 2001.
  • A exceção e a regra (1997). Média-metragem.
  • Ondas brancas nas pupilas negras (1995). Média-metragem.
  • Eu, mulher negra (1994). Média-metragem.
  • Retrato em preto e branco (1993). Média-metragem.
  • Almerinda, uma mulher de trinta (1991). Média-metragem.
  • São Paulo abraça Mandela (1991). Média-metragem.
  • Alma negra da cidade (1990). Média-metragem.
  • Memórias de classe (1989). Média-metragem. Prêmio de melhor roteiro no Festival Ford/Anpocs, 1989.
  • Roteirista
  • Cinderelas, lobos e um príncipe encantado (2009). Menção honrosa no Festival Internacional de Cinema de Brasília, 2008. Prêmios de melhor filme e melhor diretor, por votação do público, no 9ª Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe. Prêmios de melhor longa-metragem e melhor documentário do III Bahia Afro Film Festival, 2010.
  • As filhas do vento (2004). Prêmios de melhor filme (júri da crítica), melhor diretor; melhor ator (Milton Gonçalves); melhor Atriz (Ruth de Souza e Lea Garcia); melhor ator coadjuvante (Rocco Pitanga); melhor atriz coadjuvante (Taís Araújo e Thalma de Freitas). Prêmio de melhor filme pelo júri popular da Mostra de Cinema de Tiradentes, 2005.
  • A negação do Brasil (2000). Prêmio de melhor filme do É Tudo Verdade de 2001. Prêmio de melhor roteiro de documentário no 5º Festival de Cinema de Recife em 2001.
  • Memórias de classe (1989). Média-metragem. Prêmio de melhor roteiro no Festival Ford/Anpocs, 1989.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

ANPUH-Brasil – Associação Nacional de História - Revista História Hoje - Volumes - Visualizar Revista

ANPUH-Brasil – Associação Nacional de História - Revista História Hoje - Volumes - Visualizar Revista


Outra redução: a dinâmica interétnica na Limpia Concepción de Jeberos nas missões jesuíticas do Marañon no século XVII

Fernando Torres-Londoño

Resumo


Na trilha de apontar o protagonismo dos povos indígenas nos processos de conquista e colonização, o artigo propõe examinar o caso de uma missão jesuítica na Amazônia do século XVII pelos possíveis significados atribuídos a ela pelos Jebero, povo indígena que de fato a constituiu. Assim, a composição pluriétnica da missão é examinada pela dinâmica de relações definidas com base nacondição de parente, inimigo ou estrangeiro.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

BID seleciona estudantes negros e indígenas para atuar como assistente de pesquisa no Brasil

BID seleciona estudantes negros e indígenas para atuar como assistente de pesquisa no Brasil


 
Parceria com a Universidade de Brasília selecionará alunos de pós–graduação para atuar em operações
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) lançou hoje o programa Afirme seu Talento, que selecionará quatro estudantes de pós-graduação para atuarem como assistentes de pesquisa em atividades de apoio à realização de projetos na carteira do Banco no Brasil.
A iniciativa piloto, que conta em sua primeira fase com o apoio da Universidade de Brasília (UnB), busca ampliar os benefícios da adoção das cotas raciais, a fim de promover a participação de estudantes que se autodeclarem negros ou indígenas nos projetos de desenvolvimento financiados pelo Banco.
O intuito é oferecer oportunidades de desenvolvimento profissional e possibilidade de futura contratação como funcionários. Os alunos selecionados vão atuar na Representação do BID no Brasil, em Brasília, junto às equipes de projeto, apoiando também as agências executoras no planejamento e implementação das operações.
Para a Representante do BID no Brasil, Daniela Carrera-Marquis, esta iniciativa piloto “é uma oportunidade para enriquecer o quadro de profissionais do Banco, assim como promover novos conhecimentos e experiências aos bolsistas. O benefício será mútuo”, disse.
As áreas preferenciais de conhecimento são Ciências Sociais, Direito, Política Pública, Economia, Administração de Empresas, áreas de engenharia ou similares. Nesta primeira seleção estão sendo oferecidas quatro vagas.
As inscrições acontecem até o dia 22 de abril. Para mais informações, acesse o edital. O valor da bolsa deve variar entre R$ 2000,00 e R$ 2800,00, com carga horária compatível para estudantes de pós-graduação, acordada entre o bolsista, o BID e a UnB. Os estudantes selecionados receberão capacitação antes de iniciarem as atividades.
Sobre o BID
O BID é a principal fonte de financiamento para o desenvolvimento regional na América Latina e no Caribe. Em parceria com seus clientes, trabalha para eliminar a pobreza e a desigualdade e promover o crescimento econômico sustentável.
O Banco auxilia na elaboração de projetos e oferece financiamento, assistência técnica e conhecimentos para apoiar intervenções de desenvolvimento, tendo o Brasil como principal cliente. Como instituição, o BID se esforça para motivar a participação de populações indígenas e negras em suas atividades.
 

História da Imprensa de Pernambuco - Luiz do Nascimento




Volume 1 - Diário de Pernambuco

Volume 2 - Diários do Recife, 1829 - 1900

Volume 3 - Diários do Recife, 1901 - 1954

Volume 4 - Periódicos do Recife, 1821 - 1850

Volume 5 - Periódicos do Recife, 1851 - 1875

Volume 6 - Periódicos do Recife, 1876 - 1900

Volume 7 - Periódicos do Recife, 1901 - 1915

Volume 8 - Periódicos do Recife, 1916 - 1930

Volume 9 - Periódicos do Recife, 1931-1940

Volume 10 - Periódicos do Recife, 1941 - 1954
Índice (v.10)

Volume 11 - Municípios das Letras A,B e C
Índice (v.11)

Volume 12 - Municípios das Letras E a J
Índice (v12)

Volume 13 - Municípios das Letras L a P
Índice (v.13)

Volume 14 - Municípios das Letras Q a Z

História da Imprensa de Pernambuco - Índice Geral

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